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Gritos mudos


Posso escrever o que quiser que não vais ler, posso gritar bem alto mas tu não vais ouvir, nunca ouviste… Não sei como fazer isto depois de ti, não sei como seguir em frente, não sei como voltar a dar-me completamente, não sei como é que este sentimento vai embora.
Dói por tudo, é o não ser suficiente, é o não seres suficiente, é tudo o que imaginei e que agora se desfaz em fumo, é tudo aquilo em que falhei, é tudo aquilo que dei demais, é tudo o que tu não deste, é o saber que de maneira alguma teria sido diferente. Que merda é esta? Que buraco é este? Que amarras são estas que não consigo soltar? Que toxina é esta que me deixa em ressaca total? Que sentimento é este? Porra! Quis sair, correr livre por aí, sentir tudo, mas não há espaço… Não há espaço porque ainda estás aqui, e eu não sei como te mandar embora, não sei como te expulsar, não sei como te esquecer…
E o pior é que não quero, assusta-me já não ter nada de nós, assusta-me esquecer, assusta-me o dia em que já não vamos ser nada, assusta-me a inevitabilidade de não ser mais nada. 
E não consigo olhar para ti, mas sinto a tua falta, sinto a falta de te ter aqui, dos dias em que olhar para ti me dava conforto e não esta dor imensa.
Sai de mim, sai por favor porque eu não suporto. Mas não vás, fica só mais um bocadinho, abraça-me só mais uma vez…

Diz-me que ainda estás aí...

Diz-me que ainda aí estás. Diz-me que não fiquei aqui sozinha, neste limbo, neste espaço silencioso e escuro em que nos coloquei. Diz-me que ainda estás aí.
Diz-me que não foi uma ilusão. Diz-me que ainda sonhas com o nosso reencontro. Diz-me que ainda achas que vamos ficar juntos um dia. Diz-me que ainda me achas a tua alma gêmea. Diz-me que sou para ti tanto como és para mim. Diz-me que não foi uma ilusão.
Tenho vontade de te ligar, de falar contigo e te dizer tudo o que me vai na alma, mas sem ninguém saber, sem tu saberes, sem eu saber. Tenho vontade de te dizer que ainda aqui estou, que sonho contigo mais noites do que devia, que penso em ti quando falam em amor eterno, que me fazes falta. Queria poder dizer-te que ainda és o mesmo que era, que não há comparação possível, que venha quem vier não há ninguém com quem a minha alma combine melhor do que com a tua.
No entanto, não quero dizer-te. Não quero que se torne real, tenho medo do que um dia possa acontecer se passar demasiado tempo, se tiver sido tudo uma ilusão, se eu tiver deitado tudo a perder.
Será que acredito em destino? Racionalmente diria que não, mas no meu intimo acabo sempre a orar ao universo que seja só uma fase, que encontremos de volta o caminho um para o outro, que tudo passe… 
Sinto a tua falta como nunca senti de ninguém, das conversas, dos momentos, e agora vejo o quanto desperdicei ao teu lado. Podiam ter sido tantas mais as conversas, tantos mais os momentos…
Diz-me que ainda estás aí. Diz-me que não fiquei aqui sozinha. Diz-me que ainda sou para ti tudo o que és para mim. Diz-me… 

Sinto a tua falta

Ph: Orlando
Sinto a tua falta. É visceral. Sinto a falta da tua alma na minha, das conversas, da sintonia constante. Tenho saudades dos devaneios, da cumplicidade, da conexão quase imediata.
Eras a minha pessoa, a minha metade, a peça perfeita para o meu puzzle. E eu não vi. Ou melhor, eu vi, mas não senti. Bloqueio emocional. Bloqueio futil. Quis-te tanto, podias ser tudo e de tanto nos queremos, nos perdemos. 
Tentaste ser tudo, e eu quis mais, como sempre quero, como sempre quis… A questão é que eras já tanto, eras já tão mais do que eu podia suportar, eras eu, a outra versão de mim. A inocência, a sensibilidade, o genuíno, o incondicional. Amei a forma que me amaste, e amei o que me fizeste, o que me tornaste. Ousaste dar-me espaço para voar e eu não soube lidar com a imensidão de espaço que me deste. Quis ser tudo, quis ter tudo, e quando quis voltar a ser simples, como um dia havia sido, apercebi-me que já não sei sê-lo… 
E todas estas palavras que escrevo escondida, e todos estes sentimentos que tento ignorar, só me apetece gritá-los, só me apetece gritar-tos, pedir-te que esperes, que não desistas, que não deixes de me amar porque eu ainda estou aqui. 

Amor pleno

Eu quero o fogo, a força que vem cá bem dentro, do fundo. Eu quero isto para a vida, para sempre. Quero o cuidado, quero o carinho, quero o mimo e a cumplicidade. Preciso da mão na mão, dos passeios no meio de tudo e de todos, ou no meio do nada. Quero aquela companhia, que basta, que é única, que me faz sentir preenchida e plenamente feliz. Eu quero a gargalhada, aquela gargalhada contagiante que me faz sorrir, que alegra o meu dia. Eu quero o toque, o corpo, a paixão e a loucura. Quero-o com tudo, nos programas mais loucos e nas tardes mais aborrecidas no sofá. Quero em todos os sítios dele e em todos os sítios meus. Quero-o nas minhas experiências favoritas e nas dele. Quero em tudo o que é novo, e em tudo o que é de mais antigo e meu, só meu, ou dele, só dele. Ele fará sempre parte de todas as minhas decisões, das minhas escolhas, dos meus pensamentos, e quero fazer parte das dele, ser parte dele. Quero-o aqui, e ali, e em todo o lado, e não há ninguém que o possa substituir. Preciso dele inteiro, 100% disposto, 100% dedicado. E dar-me-ei por inteiro também.

The truth about love

There's a bunch of things we choose to do in our life. You choose what you want to do when you grow up, you choose who you want to be, you choose your friends. But there's one thing you can't choose, you can't choose who you are going to love.
I've been wondering about this, asking myself if you can answer why you love someone, and sometimes you do. You can rationally visualize what makes someone lovable, but you don't really have a say in it. Or you love, or you don't. You can't force yourself to love someone, you can try, you can see a lot of qualities in a person, you can say "that person is so right for me", but it isn't true unless you really feel it. And when it comes to choose... there's not really a choice, because the truth about love is that is a savage piece of feeling that rushes through your soul and overcomes every bit of your own free will.
You either love, or you don't.

Cansaço amoroso


Estou cansada do amor. Apercebo-me ultimamente do quanto estou amorosamente exausta. Estou cansada da luta, estou cansada da esperança, estou cansada de sonhar, estou cansada de me desiludir. É triste, é injusto para quem está do meu lado, mas estou cansada. O amor esgota-nos. Não. Perder o amor esgota-nos. Apaixonei-me vezes sem conta, desiludi-me outras tantas e receio que não me tenha entregue a 100% em nenhuma delas, mas, e talvez por isso, estou estafada. Porque embora não tenha dado tudo, ainda assim, dei muito, dei talvez demais, e perdi-me. Já me achei, já me perdi novamente nos entretantos, e a cada obstáculo, a cada recuo, sinto-me cada vez mais a desistir, a não querer saber, a não querer pensar, a não me querer dar.

Dou por mim a negar o amor, dou por mim a negar a luta, dou por mim a sussurrar para mim mesma “não estou preparada para isto”, “ainda não consigo”, “preciso de tempo”, “não consigo fazer isto”, “está demasiado complicado, demasiado doloroso..”, “não quero mais”, E quase, quase que desisto… Talvez devesse fazê-lo. Talvez esteja mesmo tudo errado, talvez não haja volta a dar, talvez seja melhor ir embora e, um dia, começar de novo.

E depois abano a cabeça, afugento estes pensamentos derrotistas, bebo um chá quente para me aquecer a alma e continuo em frente…

Perdemos os dois.


“Quem perde é ele.”

Dizem-nos isso como se nos fosse consolar, dizem-nos isso para nos apaziguar o coração partido, dizem-nos isso para nos ajudar, mas não ajuda. Não é só ele que perde, são os dois. Porque perder o que se conquistou, se desistir de tudo o que se lutou é demasiado triste. Talvez eu seja uma saudosista, uma romântica incurável, mas caramba, como não ser? Ainda não descobri... Não sou racional, não vou simplesmente seguir em frente e esquecer o que vivemos, o que deixámos ir embora. Não vou esquecer o toque do corpo, o calor do abraço, o som da gargalhada, e decidi que também não vou simplesmente fugir e não olhar para trás.

Estou cansada de coleccionar histórias de amor que têm tanto de lindas como de tristes, chegou a altura de fazer o luto, enfrentar as memórias e, um dia, deixá-las ir. Até lá as lágrimas vão continuar a cair de tempos a tempos, o meu corpo vai sentir falta de alguém, e não vai querer mais ninguém.

Porque perdemos os dois, e não vale a pena fingir que não é verdade. Eu perdi-te e tu perdeste-me... Talvez seja melhor assim, não nego, mas não deixa de doer, não deixa de partir o coração quando “nós” deixamos de existir. Começa a surgir aquela sensação de “nunca aconteceu”, como se nunca tivesses estado aqui, como se tivesse sido tudo um sonho e eu acordasse agora, sozinha... A cama está fria e vazia do teu lado, que era qualquer um deles... E dormir é a melhor parte do dia, porque não tenho que enfrentar a realidade, vou para onde a minha cabeça me levar ou não vou para lado nenhum. Acordada não há hipótese, a realidade bate de frente, como uma chapada aos primeiros raios de sol, e só se vai embora quando o sol se põe. E eu vou viver isto até já não doer, porque eu perdi-te e tu perdeste-me, e não há como negar.

Alergia ao amor


Nós vamos esperar, vamos chorar, vamos rogar pragas ao destino por nos colocar nesta situação. Vamos ter alergia ao amor, aos casais, às mãos dadas, aos finais felizes e vamos fingir que isso não é para nós. Vamos andar assim uns tempos, meio dormentes, sem sentir nada, nem amor, nem dor, nem tristeza, nem felicidade, até ao dia que em nos conformamos com a triste realidade de que o amor sozinho não chega.

E quando acharmos que estamos bem vamos baixar a guarda, tirar as barreiras e vamos esquecer a dor. Vai parecer que foi há já tanto tempo que nem nos lembramos de como foi mau, e vamos dizer para nós próprios “não foi assim tão insuportável”. E então vai surgir alguém que nos vai fazer esquecer tudo isto, que nos vai mostrar que dormência não é felicidade, que não sentir nada não é de, todo, tão bom como as borboletas no estômago, e vamos deixar-nos levar… O que vai acontecer? Possivelmente tudo de novo, o amor, a felicidade, a incongruência, a luta para sair, e o fim. Mas pode ser que não… pode ser que não...

Ligações


O que define a ligação entre duas pessoas não é tanto tempo que passam juntas ou a proximidade dos seus corpos. É a intensidade com as suas almas se conectam, a ponte que se cria entre as suas mentes quando os seus olhos se cruzam. A ligação entre duas pessoas resulta da química dos seus corpos, do partilhar das suas ideias, pensamentos, sensações... às vezes tão profundamente que se entranham no ser, de tal forma que já não sabemos quem deu o quê, se surgiu de um, de outro ou do "nós". Está num toque, num beijo suave, ou numa paixão consumada. Não interessa quantas vezes fizeram sexo se não se tocaram na alma. Não interessa quantas vezes dormiram juntos se não se sentiram seguros e aconchegados. A ligação entre duas pessoas que se amam, que se querem, está para além do que se diz, e do que se faz, está principalmente no que se sente. A ligação entre duas pessoas é o que se tem quando estão juntas mas, e acima de tudo, o que fica quando estão longe.