Perdemos os dois.


“Quem perde é ele.”

Dizem-nos isso como se nos fosse consolar, dizem-nos isso para nos apaziguar o coração partido, dizem-nos isso para nos ajudar, mas não ajuda. Não é só ele que perde, são os dois. Porque perder o que se conquistou, se desistir de tudo o que se lutou é demasiado triste. Talvez eu seja uma saudosista, uma romântica incurável, mas caramba, como não ser? Ainda não descobri... Não sou racional, não vou simplesmente seguir em frente e esquecer o que vivemos, o que deixámos ir embora. Não vou esquecer o toque do corpo, o calor do abraço, o som da gargalhada, e decidi que também não vou simplesmente fugir e não olhar para trás.

Estou cansada de coleccionar histórias de amor que têm tanto de lindas como de tristes, chegou a altura de fazer o luto, enfrentar as memórias e, um dia, deixá-las ir. Até lá as lágrimas vão continuar a cair de tempos a tempos, o meu corpo vai sentir falta de alguém, e não vai querer mais ninguém.

Porque perdemos os dois, e não vale a pena fingir que não é verdade. Eu perdi-te e tu perdeste-me... Talvez seja melhor assim, não nego, mas não deixa de doer, não deixa de partir o coração quando “nós” deixamos de existir. Começa a surgir aquela sensação de “nunca aconteceu”, como se nunca tivesses estado aqui, como se tivesse sido tudo um sonho e eu acordasse agora, sozinha... A cama está fria e vazia do teu lado, que era qualquer um deles... E dormir é a melhor parte do dia, porque não tenho que enfrentar a realidade, vou para onde a minha cabeça me levar ou não vou para lado nenhum. Acordada não há hipótese, a realidade bate de frente, como uma chapada aos primeiros raios de sol, e só se vai embora quando o sol se põe. E eu vou viver isto até já não doer, porque eu perdi-te e tu perdeste-me, e não há como negar.

Sem comentários:

Enviar um comentário